Voltar para o Blog

Vínculo empregatício de entregadores: entenda a decisão

Hamilton Figueiredo
18 de dezembro de 2025

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) proferiu recentemente uma decisão que promete impactar significativamente as relações trabalhistas no Brasil. A Justiça reconheceu o vínculo empregatício entre o iFood, uma das maiores plataformas de entrega do país, e seus entregadores. Como resultado, a empresa foi condenada a pagar cerca de R$ 10 milhões, abrangendo direitos trabalhistas que incluem FGTS, férias e 13º salário.

Vínculo empregatício de entregadores

Vínculo empregatício de entregadores: uma vitória para os trablhadores

A decisão partiu de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que argumentou que o iFood exerce controle direto sobre os entregadores. A plataforma define horários, rotas e até penaliza trabalhadores por comportamentos que não atendem às diretrizes impostas. Essas características, segundo o MPT, configuram uma relação de subordinação, típica de vínculos empregatícios.

A 14ª Turma do TRT-2, nos autos de nº 1000100-78.2019.5.02.0037, acatou os argumentos e reconheceu que os entregadores, embora classificados como trabalhadores autônomos pelo iFood, operavam de maneira análoga a empregados formais. Essa decisão destaca que a tecnologia e o modelo de negócios não podem ser utilizados para mascarar relações de trabalho que, de fato, possuem características de emprego.

O impacto financeiro e social do reconhecimento do vínculo empregatício de entregadores

A condenação de R$ 10 milhões imposta ao iFood não é apenas um marco jurídico, mas também um alerta para empresas que se beneficiam do modelo de trabalho por aplicativo. A decisão demonstra que a flexibilização do trabalho não pode vir às custas dos direitos trabalhistas básicos.

Além disso, o caso abre um precedente importante para outros trabalhadores em situações semelhantes. A luta por melhores condições de trabalho, direitos e segurança ganha força com decisões como essa.

O futuro das relações de trabalho

Essa decisão do TRT-2 reflete uma tendência global de regulamentação do trabalho em plataformas digitais. Diversos países já debatem formas de garantir que a tecnologia seja uma aliada dos trabalhadores, e não um meio de precarizar suas condições.

O caso do iFood ressalta a necessidade de equilíbrio entre inovação e responsabilidade social. Empresas que utilizam a economia digital como base de suas operações precisam entender que, além da inovação, devem respeitar as leis trabalhistas e os direitos humanos.

O reconhecimento do vínculo empregatício entre entregadores e o iFood marca uma importante conquista para os trabalhadores brasileiros e reforça a relevância das normas trabalhistas em tempos de transformação digital. Essa decisão não é apenas sobre justiça, mas também sobre como moldaremos o futuro do trabalho em um mundo cada vez mais conectado.

E você, o que pensa sobre essa decisão? Compartilhe sua opinião! Leia também nosso post sobre os direitos das pessoas que sofrem acidentes de trabalho.

Ficou com alguma dúvida?

Precisa de orientação jurídica?

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo.

Fale Conosco